Mein Liebster Feind – Klaus Kinski

1 dez


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Todo ator deveria ver esse documentario do diretor Werner Herzhorg entitulado “Meu Melhor Inimigo”, sobre o ator Klaus Kinski. O filme é bom, Herzhorg conta a história da sua relação conturbada com Kinski (que renderam 6 longa-metragens). Começa na casa onde os dois, por coincidencia, moraram quando Kinski era um artista miserável, e Herzohog um menino; o primeiro filme, e toda a loucura de Kinsky.

Sim, Kinsky era louco.

Louco além de simplesmente “não sair do personagem” depois da gravação nos sets de filmagem. Ele ficou preso no banheiro uma vez durante dois dias pelado, recitando shaekespeare aos gritos na banheira sem dormir até que a polícia foi chamada. Ele golpeou um extra no set na cabeça com sua espada, que só não o matou, porque ele estava de capacete, mas mesmo assim, deixou marcas até hoje. Ele se dizia Jesus e por aí vai…

E onde entra o Herzhog nisso?

Se Kinsky era louco, Herzhog era mais. Quando Kinsky estava prestes a abandonar o set nos últimos dias de uma complicada gravação na floresta do Peru, por causa de uma coisa absolutamente trivial durante seus acessos de loucura, Herzhog calmamente expoe que o filme era mais importante do que o ego deles, e era uma obra para a huminade, mas que se ele quizesse mesmo sair, ele podia andar até a barca e levar um tiro na cabeça, pois depois ele ia se matar. Aparentemente Kinsky entendeu, e o filme foi feito, e sua interpretação, sua própria derrota foi capturada pelas cameras.

Agora, o que dá para um ator aprender nesse filme?

A verdade absoluta de Kinsky em suas cenas. Sim, era tudo um truque, mas feito com verdade. Uma cena que marcou Herzhog em sua infancia, em um dos primeiros filmes de Kinsky, foi apenas uma reação dele acordando. E de como ele esperou alguns segundos para coçar o olho antes de olhar pro relogio e ir embora. Kinsky era um auto-ditada. Uma força da natureza, como algumas pessoas dizem.

Afinal de contas, o que vale: a técnica ou a inspiração?

Acho que a inspiração é a chama e a tecnica é o que dá forma as sombras do que nós vemos nas paredes. Cada um deve examinar a sua própria “loucura” e testar até que ponto você é capaz de imaginar e viver com verdade uma coisa inventada. Isso distingue o ator/artista, como Stanislavski retratou em suas obras. A capacidade do espectador ver em outro ser humano as emoções que ele mesmo sente. O problema, pelo que eu senti do filme e dos trabalhos de Kinski que foram mostrados, é que ele só conseguia interpretar loucura, todas as emoções pela lente da loucura. Ele era um grande artista e um grande ator, mas acho complicado  buscar a sua verdade assim.

Então veja, como uma boa articulação, coragem, uma liberdade de expressão corporal e emocional, aliadas a uma fé absoluta no que você está fazendo, pode fazer com um grande ator.

2 Respostas para “Mein Liebster Feind – Klaus Kinski”

  1. Andre dezembro 8, 2011 às 4:37 pm #

    Muito bom!

    Se ele era realmente louco, ou se viveu um personagem a vida inteira, eu não sei. Talvez nem o Herzog saiba.

    Mas não tenho dúvida que, louco ou não, ele teve um toque de genialidade. Mal comparando, foi para a profissão de ator o que o Andy Kaufman foi para a profissão de comediante.

    Mas talvez a maior lição que tirei do filme foi a idéia do que a carreira do ator, e não somente uma obra ou atuação individual, possa também transmitir uma mensagem. A Claudia Cardinale expõe um lado dele que me deixou em dúvida se o verdadeiro Klaus Kinski não era aquele que se mostrava carinhoso pra alguns poucos. E lá pelas tantas fui percebendo que o “verdadeiro Klaus Kinski” não existiu – ele mudava a cada um de seus cento e tanto filmes. O retrato dele no filme é justamente de uma “metamorfose ambulante”, parafraseando Raul Seixas. E se a carreira dele foi assim, uma metamorfose, não sería ela também um espelho pras nossas próprias vidas? Afinal quem não é uma metamorfose? Eu certamente não sou o mesmo que fui ontem.

    • raulveiga dezembro 9, 2011 às 2:27 am #

      Eu tava pensando exatamente isso hoje. Essa mesma música do Raul veio na minha cabeça, tanto que a letra falar que ele é um ator.
      E o que eu gosto da minha profissão é exatametente essa possibilidade de poder ser/viver vários personagens diferentes.
      Mas existe técnicas pra isso.
      O que o filme passou é que ele era “self-taught”, e que já tiha sido internado e tal… De qualquer forma, a doença dele não o impediu realmente de certos momentos de interpretação brilhantes, pelo pouco que eu vi no filme.
      Anywhos é engraçado que um cara que deu um espadada na cabeça de um extra é capaz de ser um amor com sua companheira de cena.
      O legal do filme também é o proprio Herzhorg, que é capaz de expressar com palavras assim como com a pelicula, todos os sentimentos envolvidos nessa relação conturbada entre eles. Ele fala muito bem.
      A partir de agora vou acreditar mais no meu lado Klaus Kinski… :)

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